
O que tenho para manifestar não é exatamente minha impressão da história (teria de ler completamente e com mais calma antes disso...), mas sobre algo que li numa introdução do encadernado: “os personagens oriundos da literatura nunca foram transpostos tão fielmente para outra mídia” ou algo assim.
Isso não é verdade.
Mais uma vez, digo que não tiro os méritos da história: divertida, dinâmica e inteligente. Cheia de referências. Não só personagens tão diferentes interagem entre si: os universos desses personagens também coexistem em um único mundo!
Mas, para quem leu as obras literárias d’onde esses personagens foram tirados (As Minas do Rei Salomão, A Cidade de Ouro Perdida, Drácula, O Médico e o Monstro, 20.000 Léguas Submarinas, O Homem Invisível) notam, sim, certas “liberdades poéticas” com os personagens.
Não vou citar detalhes de um por um, mas vou direto ao mais berrante: Mister Hyde.
Ele é um monstro!
Enorme e musculoso como um gorila, tem até presas! E sua brutalidade contrasta com a agilidade incrível!
Para quem leu o livro, isso salta aos olhos, já que na Literatura Hyde é mais baixo, mais gordo e até mais fraco que o Doutor Jeckyl (Hyde só é forte quando tem seus rompantes de loucura). Ademais, tem o andar cambaio e embalado de um marinheiro, parecendo ser um tanto coxo e corcunda, o que lhe faz andar apoiado numa bengala em certas ocasiões.
Basicamente, Hyde é fisicamente o que Jeckyl teria sido se levasse uma vida de preguiça, vícios e depravações.
E daí, na HQ, o cara é o Hulk!

Carlos Dente
Quadrinhos e Blá, Blá, Blá 2.0
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